quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O alto preço da pornografia

A pornografia é um negócio grandioso. Com rendimentos anuais excedendo aos 13 bilhões de dólares nos Estados Unidos e 97 bilhões ao redor do mundo, a indústria pornográfica é maior do que a Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple, Netflix e EarthLink juntas. Claramente, o apetite por obscenidade é voraz. Mas seria isso ruim? Muitos diriam que não. De acordo com as pesquisas do Barna Group, 38% dos adultos acreditam não haver qualquer imoralidade em ver material de sexo explícito. Além disso, aproximadamente um a cada quatro acredita que não deveria haver restrições quanto à pornografia ou ao seu acesso, a despeito de seu conteúdo impróprio para menores. Infelizmente, 28% dos cristãos “nascidos de novo” acreditam que, mesmo com o que está escrito em Mateus 5:28, não há nada de errado em ver pornografia. O mais triste é descobrir que por volta de 50% dos cristãos e 40% de seus pastores admitem ter problemas com a pornografia. Sob tudo isso está o conceito de que a pornografia seja uma relação particular entre um provedor do mercado livre e seus consumidores. Diferente de outras formas de atividade sexual como a prostituição, o adultério ou o estupro, as consequências negativas, em qualquer das citadas, são apenas vivenciadas pelo usuário. Ainda que a pornografia possa não ser saudável, de acordo com o ponto de vista social, tem pouca ou nenhuma importância. Quanto a todas as preocupações excessivas dos grupos religiosos e conservadores, essa está ultrapassada e inapropriada. Contra tais noções, está a evidência esmagadora da natureza destrutiva da obscenidade, não pelos usuários, mas pelos familiares e a sociedade.

Os estudos mostraram que as imagens sexualmente estimulantes deixam marcas no cérebro que ativam respostas bioquímicas espontâneas, causando dependência psicológica que influencia comportamentos e hábitos. Por exemplo, em uma audiência do Senado americano em 2004, a Dra. Mary Anne Layden, do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Pensilvânia, declarou que o cérebro rastreia os resultados mostrados das imagens pornográficas, da mesma forma que ocorre com usuários de cocaína. Em suma, a pornografia é viciante e na internet ela é como o crack.

Atraídos pela disponibilidade, acessibilidade e o anonimato, 40 milhões de americanos adultos visitam regularmente os sites de sexo virtual. De acordo com o National Council on Sexual Addiction and Compulsivity (Conselho Nacional sobre o Vicio e a Compulsividade Sexuais), existem entre 18 e 24 milhões de viciados em sexo nos Estados Unidos, 70% dos quais “afirmam ter problemas de comportamento sexual virtual”.

Muitos descrevem seu vício como sendo uma “vida no inferno”. Como sua tolerância psicológica produz pelo material sexualmente explícito, os usuários são conduzidos a mais e mais imagens pervertidas, a fim de alcançar os mesmos níveis de satisfação sexual. Eles descobriram, assim como C. S. Lewis uma vez propôs, “um desejo cada vez mais crescente por um prazer cada vez menor”.

O consumidor habitual pode gastar horas procurando na internet por aquela imagem especial que ela espera lhe satisfazer por todo o dia; as procuras estendem-se ao local de trabalho. Uma pesquisa da Nielsen Online descobriu que 25 por cento dos empregados com acesso à internet visitam sites de sexo explicito no escritório, ainda que corram riscos de serem disciplinados ou mesmo demitidos. Mas tais comportamentos não estão limitados aos trabalhadores de nível inferior ou em posições não críticas.

Só em abril, o inspetor geral da Comissão Americana de Valores Mobiliários (CAVM) descobriu que, em 2008, trinta e um oficiais superiores acessavam pornografia nos computadores do escritório, enquanto o mercado financeiro estava em chamas. Mais recentemente, mesmo com o derramamento sem fim de petróleo BP no Golfo, funcionários do governo responsáveis por supervisionar as atividades de perfuração foram pegos, entre outras atividades, baixando pornografia no local de trabalho.

No local de trabalho, o vicio em pornografia resulta na perda da produtividade e na negligência de cumprir os deveres, que podem ter efeitos danosos talvez até desastrosos. Em casa, resulta paradoxal e tragicamente em desordens íntimas.

Como o desejo do viciado é pelas cenas eróticas, sua excitação pela “coisa real” diminui. Os fóruns médicos online estão cheios de preocupações quanto aos homens que perderam a libido pelas mulheres na sua vida após a inclinação prolongada à pornografia. Um homem escreve o seguinte:

“Desde que coloquei internet de alta velocidade em casa, comecei a ver muito mais pornografia e meu desejo e desempenho sexuais diminuíram lentamente. Agora está se tornando um problema real. Eu simplesmente não fico tão excitado quanto ao sexo como de costume e parece que perco o interesse depois de alguns minutos.”

Eu sempre me perguntei acerca do mercado frenético de drogas sexuais masculinas que começaram a aparecer na televisão uma década ou mais atrás. Como um vermelho sangue, homem de meia idade, eu tive um péssimo momento, imaginando uma clientela suficiente para comprar todos aqueles produtos. Li registro após registro de homens que se alimentam de pornografia, os quais começaram por uma foto, mas experimentam disfunção erétil (DE) com uma pessoa. Essa é uma experiência masculina comum.

“É assustador o pouco conhecimento que há na internet de que a DE, causada pelo excesso de pornografia, é um problema bem real... Acredito de fato em toda essa anulação de sentimentos. Embora meu coração e alma estejam em minha esposa, ela não pode fisicamente me excitar.”
A baixa libido e o medo de falhar fazem com que muitos homens “pornografados” se tornem indiferentes à sua esposa, até irritados ao ponto de evitarem seus avanços românticos.

Assim como os homens objetificam as mulheres em montantes de seios, coxas e bumbuns, todos unidos para a felicidade masculina, as mulheres se objetificam em espécie. Para competir com aquela modelo das telinhas toda photoshopada, cheia de silicone, as mulheres tentam imitar sua aparência. Lábios com botox, aumento de seios, bronzeamento, “bumbum brasileiro”, entre muitos outros. A auto-objetificação feminina se reflete, o que se tornou, rapidamente, em um dos presentes mais populares de graduação às garotas: aumento de seios, com preços iguais ou maiores que 4.000 dólares. Não é coincidência o fato de que as demandas de drogas para o desempenho masculino e os aumentos do corpo feminino seguem juntos à explosão da pornografia na internet.

Às vezes, uma esposa visitará os sites favoritos de seu marido, na esperança de aprender o que o satisfaz. Mas no fim, de coração partido, ela sempre perde para a megera computadorizada. Assim um viciado reflete dolorosamente: “Ela não pode competir; nenhuma garota nunca pode competir com a ficção visual sexual sem fim que a pornografia oferece.”

A pornografia coloca um enorme estresse no relacionamento, principalmente o casamento. É comum que a esposa do usuário expresse sentimentos de traição, desconfiança e perda de autoestima. Com frequência, tais sentimentos levam à depressão clínica com feridas psicológicas e emocionais duradouras.

Com o surgimento da desconfiança e da ferida, muitas mulheres decidem terminar seu casamento em divórcio. Para ter ideia de quantos, dois terços dos advogados presentes na reunião de 2003 da Academia Americana de Advogados Matrimoniais disseram que a pornografia virtual estava envolvida na metade dos casos que representaram. Considerando as consequências negativas do divórcio, sentido principalmente pelas mulheres e crianças, a pornografia, contrariando o movimento do livre arbítrio, é uma doença social grave. E isso inclui a própria indústria pornográfica.

Shelley Lubben, ex-estrela pornô que abandonou esse mercado, é hoje advogada cristã para os que são vítimas da indústria que lhes é prejudicial física, emocional e espiritualmente. Falando da própria experiência, Shelley diz: “[As atrizes] devem fazer no set o que eles desejam… As garotas… sentem-se como estrelas. São alvos das atenções… Elas não percebem a degradação… Originadas na pornografia, [elas] nem mesmo perguntam se isso é errado… Se afundam nas drogas para dormir. Têm seu [corpo] rasgado… Elas contraem HIV e herpes e se desligam emocionalmente, morrendo.”

Isso é pelos empregados “voluntários” no mercado, mas e quanto aos involuntários? Um número significativo de pessoas na pornografia no cinema e na internet são vítimas de tráfico internacional de humanos. O Departamento Estadual Americano registra que há mais de 12 milhões de escravos modernos, aproximadamente 1,5 milhão dos quais são forçados para o mercado do sexo. Também são incluídas as vítimas mais jovens da demanda insaciável pela obscenidade infantil.

Como mencionado anteriormente, o consumo habitual leva à tolerância psicológica, que cria um desejo crescente pelas imagens distorcidas e chocantes. A escalada no desvio leva com frequência à pornografia infantil.

O Departamento de Justiça Americano estima que há quase 100 mil pedófilos em todo o mundo, que mantêm a internet cheia de mais de um milhão de imagens pornográficas de crianças, que nem são adultas nem consentiram com isso por qualquer definição racionável. Há vítimas que vivem o mesmo tipo de efeitos físicos e psicológicos assim como outras crianças abusadas sexualmente, mas com uma diferença. Agregadas às memórias do abuso em si, estão as imagens degradantes que permanecem “lá fora”, escondidas nas gavetas da escrivaninha ou arquivos eletrônicos, prontos para reaparecer a qualquer momento ao redor do mundo com o clique de um mouse e a re-traumatização da vítima.

Homens, mulheres e famílias, cristãos ou não cristãos, leigos e clérigos, adultos e crianças, empregados, local de trabalho e a indústria. Não há segmento da sociedade que não seja tocado pelos tentáculos corrosivos da pornografia, a um custo financeiro inestimável e um custo humano para o qual nenhuma cifra de dólar pode ser assinada.

(Regis Nicoll é colunista da BreakPoint, Salvo e Crosswalk, além de contribuir para o blog da Irmandade da Prisão, The Point; tradução Elizandra Milene da Rocha)

11 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. O artigo é excelente e esclarecedor. Postei como notícia no Dihitt e também no Facebook > http://www.facebook.com/luisinhofreitas - Assinei o Feed e aguardo ler mais artigos de excelente qualidade como este. Um abraço e sucesso!!!

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  3. Com os devidos créditos, divulgarei esse artigo em meu blog também...Muito bom e esclarecedor! Abaixo a pornografia. Maria Aparecida.

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  4. Muito bom esse comentário.

    Infelizmente é uma pena que na nossa Igreja (adventista) hajam poucos grupos de apoios aos viciados em pornografia. Existe ainda muito preconceito como se o viciado fosse um demônio perdido. O mesmo acontece com dependentes químicos. Eu acredito que devemos criar grupos de apoio a essas pessoas. Jesus veio salvar os perdidos, e não condená-los.

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  5. SODOMA E GOMORRA PERDE DE 10 A 0 DOS ATUAIS CRISTÃO NA ESPIRITUALIDADE,OS DIAS DE OJE ESTA PIOR QUE NOS TEMPO DELÕ

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  6. Excelente artigo! Infelizmente não vemos muito sobre este assunto, apesar de todo o caos que este vem causando na vida das pessoas. Concordo com Jack Bauer, nossa igreja precisa rever sua forma de tratar sobre esse e outros assuntos e ratificar a todos os distritos, igrejas e pastores uma nova postura frente a isso, pois quem sofre com isso, na maioria das vezes (ou em quase todas) sofre calado e angustiado, desacreditado de si mesmo e que nem Deus consegue ajudá-lo (não porque Deus não possa, mas porque o sujeito “pervertido” “não quer”). Apoio a iniciativa e sugiro que sejam postados e divulgados em toda rede de sites Adventista mais material de auto-ajuda, de superação e esclarecimento sobre esse câncer psicológico adquirido ciberneticamente.

    Parabéns!

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  7. Realmente a pornografia degrada a alma humana e faz com que a palavra sexo seja tão forte quanto o bom senso, e que a masculinidade discriminatória seja imposta, aquele que sai com uma ou mais é o HÉTERO,mais aquele devagar é uma pessoa questionável, eu digo que masculinidade tem haver com procedimentos dee conduta não sexualidade, tanto que existem pesquisas sobre sexualidaede que diz que o lado mulher ou homer na sua formação independe de atuação sexual e sim de se adquirir maturidade
    ENFIM, estamos sendo escravos de uma falsa tecnologia escravocrata e nossa sociedade está jogada as víboras que elamein nosso dia a dia com suas pornografias que contaminam a sociedade e mantem a nata com acesso a tudo e nos limita e marginaliza, e ainda querem pacificação, atodos eles que as pragas do EGITO caiam sobre eles.

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  8. Sei, por experiência própria, que a pornografia é um grande mal. Na minha adolescência, eu sofria bulling no colégio e aprendi a usar a pornografia como uma espécie de cano de escape. Hoje, tenho 29 anos e, apesar das muitas tentativas, ainda não consegui deixar de livrar-me dos maus hábitos adquiridos no passado.

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  9. COMO VAI FICAR OS DIREITOS DAS CRIANÇAS QUE FOR ADOTADA PELAS PESSOAS CASADA QUE SEJAM DO MESMO SEXO,OS DIREITOS DELAR SÃO VIOLADOS A PERVERTIDO,COMO ELAS VAI DIZER PARA OS AMOGOS QUE OS PAIS SÃO DO MESMO SEXO,ELES VÃO SOFRER,
    OPNDE ETÃO OS GRANDES LIDERES RELIGIOSOS DO PAIS FECHAM OS OLHOS POR INTERESCES POLITICOS? DE TODAS AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS

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  10. Como somos economia de mercado. É tudo em nome do mercado, e a insatisfação e infelicidade é geral.
    O vício do cigarro por muitos anos foi incentivado, agora eles querem parar, talvez porque começou a dar mais prejuízo que lucro, devido a muitos tratamentos (câncer). A industria da pornografia, temos apenas as leis para os jovens, mas, não é rigorosa. Com tantas leis vindo por ai. PLC 122, vai ser difícil combater o mal. Temos somente uns blogs como esse e o criacionismo, muito bons para alertar. Por que contar com a mídia fazer campanhas...

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  11. A cultura Ocidental, vai de mal a pior. Falência moral. carente de valores.

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